Posição de Macron sobre Amazônia tem mais foco comercial que ambiental, diz Pedro Lucas


 Pedro Lucas: “Todo apoio internacional será bem-vindo, mas com gestão brasileira à frente de tudo.”


O líder do PTB na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas Fernandes (MA), avalia que a posição do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre a Amazônia tem mais interesse comercial do que de preservação ambiental.

“O que me causa estranheza é o presidente Macron encabeçar uma disputa com o governo brasileiro num momento tão delicado. Parece que ele está sendo pressionado pelo agronegócio francês e está tentando impedir o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia”, declarou o parlamentar.

Durante a reunião do Grupo dos Sete (G7), no último fim de semana, o presidente da França levantou a possibilidade de conferir um status internacional à Amazônia, caso líderes da região tomem decisões prejudiciais ao planeta.

O G7 é o grupo dos países mais industrializados do mundo, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, embora a União Europeia também esteja representada.

Mercado aeroespacial

Pedro Lucas ainda citou outro interesse da França que está sendo afetado pelas ações do Brasil: o mercado aeroespacial. O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) firmado entre os governos do Brasil e Estados Unidos está avançando na Câmara dos Deputados.

O AST prevê o lançamento de foguetes, espaçonaves e satélites norte-americanos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Pela utilização, os Estados Unidos vão pagar ao governo brasileiro.

“Certamente, o AST vai causar um impacto no comércio aeroespacial francês, já que, por sua posição geográfica, Alcântara proporciona economia de combustível e melhores condições para lançamentos de satélites e foguetes do que a cidade de Kourou, na Guiana Francesa, onde está localizado o Centro Espacial de Kourou, da Agência Espacial Europeia”, ponderou o deputado.

Biodiversidade

Pedro Lucas também reforçou que a preservação da Amazônia tem que ter toda a atenção do governo brasileiro e da população. O parlamentar ainda defendeu que o Brasil aceite recursos financeiros de outros países para ações em defesa da biodiversidade do País.

“Todo o apoio internacional que vier será bem-vindo, mas com a gestão brasileira à frente de tudo, para a gente preservar a soberania, para dizer que a Amazônia é nossa e que a gente dá conta do recado de cuidar dela”, ressaltou.

Governadores

O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se, na manhã desta terça-feira (27), com os governadores do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Entre eles, há um consenso de que a delicada situação fiscal dos estados reforça a necessidade de o Brasil aceitar a oferta do grupo formado pelos países mais industrializados do mundo.

“O lado bom disso tudo é que houve essa reunião. A preocupação com as queimadas na Amazônia veio agora à tona, mas desde anos anteriores a questão da queimada é muito forte. No Maranhão, isso acontece demais. O Pará também está sofrendo muito. A gente precisa realmente preservar a Amazônia, mas não da forma que o presidente francês está querendo: fazer uma gestão internacional da Amazônia dentro do território brasileiro”, reforçou.

Fundo da Petrobras

Pedro Lucas também defendeu a liberação de R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras para a educação e para a Amazônia.

Em petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal na última sexta-feira (23), a Mesa Diretora da Câmara solicitou a liberação de R$ 800 milhões para o combate de incêndios florestais na Amazônia e R$ 200 milhões para programas de proteção do meio ambiente.
 
Reportagem – Renata Tôrres, com a colaboração de Regina Mesquita
Foto – Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

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